Existe uma expectativa silenciosa — e um tanto injusta — de que o amor pelo filho deveria chegar completo e instantâneo, no segundo em que ele nasce. Para muitas mães, não é isso que acontece. E está tudo bem.
Quando o "amor à primeira vista" não acontece
É comum ouvir relatos de mães que, logo após o parto, sentiram mais exaustão, choque hormonal ou até estranhamento do que a avalanche de amor que esperavam sentir. Isso não significa falha de caráter, nem ausência de capacidade materna. O vínculo entre mãe e bebê, em muitos casos, é construído gradualmente, através de semanas de convívio, cuidado repetido e troca de olhares — não necessariamente num único momento mágico.
Fatores como um parto traumático, exaustão extrema, dor física ou dificuldades hormonais podem, inclusive, adiar essa sensação por mais tempo, sem que isso indique nada de errado com a mulher ou com o vínculo que está, ainda assim, sendo construído.
Construir não é menos verdadeiro do que sentir de imediato
Um vínculo construído aos poucos, através de presença e repetição, é tão real e tão forte quanto um que surge instantaneamente. O que importa, no fim, não é a velocidade com que o amor apareceu, mas a consistência do cuidado que se sustenta — dia após dia, mesmo nos dias em que a sensação ainda não alcançou a intensidade esperada.
Se o estranhamento persistir por muito tempo
Em alguns casos, a dificuldade de sentir conexão pode estar ligada a quadros de depressão pós-parto, que merecem acompanhamento profissional. Não existe problema em nomear essa dificuldade em voz alta, com um médico, uma psicóloga, ou alguém de confiança — é, muitas vezes, o primeiro passo pra que esse vínculo, que ainda está a caminho, encontre o apoio de que precisa pra se firmar.
